quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A alegria por dentro da tristeza

Todos procuramos a felicidade no dia-a-dia, mas as contrariedades são tantas que a tristeza vai ganhando todas as batalhas. Embora quem me conheça me descreva com uma pessoa bem disposta e alegre, eu acho que muitas vezes a minha alegria esconde a pessoa que sou e o que realmente vai dentro de mim. 


Digamos que a alegria faz nos brilhar demasiado de tal forma que quando nos olhamos ao espelho não conseguimos ver realmente a pessoa que ali está, apenas conseguimos visualizar uma silhueta. A tristeza por seu lado tem uma luz fraca e trémula mas que não nos ofusca da verdadeira realidade. A tristeza faz me sentir vivo, faz-me sentir mais humano, ajuda-me a ver todos os pormenores e todas aquelas pequenas coisas que no fundo são as mais importantes, em suma faz me querer ser uma pessoa melhor. A tristeza no mundo é muito mais real, pura e sincera do que a própria alegria, que por vezes consegue ser muito superficial.

Quando passa na televisão aquelas reportagens de situações de catástrofes naturais, de fome nos países de África e mesmo acerca de pessoas que passam grandes dificuldades para sobreviver bem aqui ao nosso lado, todos descemos à terra, todos descemos à realidade. E nessa altura gera-se em nós um sentimento tão puro e tão real que se transforma de repente num nó na garganta. Esse nó é apenas o conflito que existe nesse momento no nosso interior entre a tristeza e alegria – a tristeza de conhecermos a realidade e alegria de sentirmos que não fazemos parte dela. Esse nó é apenas um sentimento de culpa que se gera em nós por aqueles momentos em que nos chateamos por tudo e por nada que arranjamos conflitos pela mais pequena coisa, situações afinal que não merecem a pena. É lindo este estado de espírito que alcançamos nestes momentos, mas é pena ser tão passageiro.

Para conheceres a alegria e a felicidade plena terás de viver a tristeza.

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